A transformação digital tem ampliado a adoção de tecnologias capazes de fortalecer a eficiência, a transparência e a confiabilidade dos processos organizacionais. Nesse contexto, este estudo propõe um modelo conceitual de integração entre a tecnologia blockchain e o Índice de Resiliência Organizacional (IRO), com o objetivo de fortalecer a produtividade, a eficiência empresarial, a governança corporativa e a confiabilidade dos indicadores utilizados na gestão organizacional. A pesquisa possui abordagem qualitativa, exploratória e descritiva, fundamentada em revisão bibliográfica e análise documental sobre blockchain, transformação digital, produtividade, eficiência organizacional, governança corporativa e resiliência organizacional. O modelo proposto incorpora o blockchain como uma camada tecnológica de confiança aplicada ao IRO, possibilitando maior integridade, autenticidade, rastreabilidade, transparência e auditabilidade dos dados utilizados na avaliação da resiliência organizacional. A integração também considera o potencial dos contratos inteligentes para automatizar procedimentos, validar evidências, atualizar indicadores e fortalecer mecanismos de controle interno. A análise demonstra que informações organizacionais mais seguras e verificáveis podem contribuir para decisões baseadas em evidências, redução de vulnerabilidades, melhoria dos processos, fortalecimento da governança e maior capacidade adaptativa das organizações. Como contribuição teórica, o estudo aproxima dois campos ainda pouco integrados na literatura: blockchain e avaliação da resiliência organizacional. Conclui-se que a integração entre blockchain e IRO constitui uma proposta inovadora para ampliar as aplicações da tecnologia blockchain na Administração e apoiar o desenvolvimento de organizações mais produtivas, eficientes, transparentes, resilientes e sustentáveis.
A transformação digital dos meios de pagamento tem reconfigurado as relações entre consumidores, empresas, instituições financeiras e plataformas tecnológicas no varejo brasileiro. No setor supermercadista, caracterizado por alto volume de transações, margens reduzidas, intensa concorrência e forte presença no cotidiano das famílias, a inovação financeira representa oportunidade estratégica para ampliar eficiência operacional, fidelização, segurança transacional e inclusão digital. Este artigo analisa a gestão da inovação financeira com blockchain no varejo supermercadista brasileiro, discutindo seus impactos na competitividade empresarial e suas possibilidades como instrumento de inclusão digital e financeira. A pesquisa adota abordagem qualitativa, exploratória e analítico-propositiva, fundamentada em revisão bibliográfica e documental sobre blockchain, ativos virtuais, sistemas de pagamento, varejo alimentar, confiança do consumidor, governança de dados, inclusão financeira e regulação brasileira. O estudo examina aplicações como pagamentos com ativos digitais, stablecoins, tokens de fidelidade, cashback programável, rastreabilidade de produtos, contratos inteligentes com fornecedores e integração com carteiras digitais. Os resultados indicam que a adoção de blockchain pode gerar vantagens competitivas por meio da diferenciação tecnológica, redução de custos transacionais, aumento da transparência, fortalecimento da fidelização e integração com novos ecossistemas financeiros. Contudo, sua implementação enfrenta desafios regulatórios, operacionais, culturais e tecnológicos, incluindo volatilidade dos criptoativos, proteção ao consumidor, segurança cibernética, governança de dados, baixa educação financeira e desigualdades de acesso digital. Conclui-se que a gestão eficaz da inovação financeira com blockchain no varejo supermercadista brasileiro exige adoção gradual, integração com meios de pagamento consolidados, parceria com instituições reguladas, comunicação clara, proteção de dados, capacitação de equipes e estratégias inclusivas centradas no consumidor.
Kátia Karolini Amaro El Alam, Jader do Nascimento Araújo, Israel Horácio Almeida Silva, Dyego Alexandre Girão de Souza Anjos · 6 authors
A expansão das fintechs e das plataformas de ativos digitais recolocou a tecnologia blockchain no centro do debate sobre modernização financeira. Este artigo investiga em quais circunstâncias uma infraestrutura de registro distribuído pode gerar valor para o sistema financeiro brasileiro sem enfraquecer a proteção do usuário, a integridade de mercado e a capacidade de supervisão. O estudo adota abordagem qualitativa e teórico-documental, combinando revisão narrativa estruturada de literatura acadêmica com análise de normas e documentos oficiais publicados entre 2008 e 31 de julho de 2026. A interpretação foi organizada em três dimensões de adequação: operacional, referente ao problema de coordenação que se pretende resolver; de governança, relativa à distribuição de direitos decisórios, responsabilidades e mecanismos de correção; e de interesse público, associada à concorrência, inclusão, proteção de dados e estabilidade. Os resultados indicam que a blockchain tende a ser mais útil em processos multilaterais com conciliações repetidas, exigência de rastreabilidade e possibilidade de liquidação programável. Os ganhos, contudo, podem ser anulados por integração incompleta, custódia frágil, opacidade contratual, concentração de infraestrutura e custos regulatórios subestimados. No Brasil, a consolidação do marco de ativos virtuais e os testes do Drex mostram uma passagem da experimentação para a governança regulada. Conclui-se que a vantagem da tecnologia não reside na descentralização como fim, mas na combinação entre arquitetura apropriada, responsabilização verificável e proteção efetiva dos participantes.